quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O PENSAMENTO COMPLEXO EM EDGAR MORIN – SÍNTESE DAS IDEIAS

 

O PENSAMENTO COMPLEXO EM EDGAR MORIN – SÍNTESE DAS IDEIAS

Raimundo Flor Monteiro[1]

RESUMO

Apenas ler, não significa muito, um livro nas mãos e a certeza de que se não elaborarmos uma síntese, não vamos compreender as teorias do autor e em bem pouco tempo não sobrará nada na memória. Para compreender é preciso refletir e para refletir se faz necessário saber o sentido semântico de cada palavra, das frases e do contexto em que o autor fala. E. Morin abre o mundo e nos dá de presente. E só o faz porque descortina a essência escondida por detrás da aparência do objeto, que se abre e se mostra aos nossos olhos estupefatos. Um mundo tão grande e rico que, me percebo pequeno diante da riqueza da visão de mundo de Edgar Morin. Publico esta síntese agora no meu blog, porém elaborei em 2013, quando fiz o Mestrado em educação na UFMA, bem longe da IA.

Palavras chave: Pensamento complexo. Operadores de base. Os sete saberes da educação

1 – INTRODUÇÃO A BIBLIOGRAFIA DO AUTOR

EDGAR MORIN (1921-2026), nasceu Edgar Nahoum, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, judeu de origem sefardita.  Emérito Pesquisador do CNRS. Formado em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia.

Imagem 1 – Mostra Edgar Morin (à esquerda) e R.F. Monteiro, o pesquisador( à direita)

Fonte: Internet com montagem de IA

1.1 OBRAS PRINCIPAIS:  O Método 1: a natureza da natureza; O Método 2: a vida da vida; O Método 3: Conhecimento do conhecimento; O Método 4: as ideias; O Método 5: a identidade humana; Sete saberes necessários à Educação do Futuro; Saberes globais e saberes locais: o olhar transdisciplinar; As duas globalizações: complexidade e comunicação, uma pedagogia do presente; Para navegar no século XXI/21: tecnologias do imaginário e cibercultura e Cultura de Massa no Século XX.

Para ele a cibernética[2], a teoria dos sistemas[3] e a tecnologia da informação[4] são inseparáveis e estão na base do pensamento complexo. O Propósito de Morin: promover a reorganização epistemológica dos princípios do conhecimento.

2 - A ORGANIZAÇÃO NO ESTILO DE PENSAMENTO DE MORIN (SISTEMA DE IDEIAS DO AUTOR).

Síntese do referencial Morin (2003, p.12 a 143) descrito na bibliografia.

1) Reorganizações genéticas? Significa reorganizar o pensamento. Morin bebe em Hegel e Marx, deduz que a dialética, união dos contrários, pode levar o homem a uma sociedade melhor. Inspira-se em Marx que defende um “homem genérico”, que não separe a natureza da cultura. Propõe a reorganização dos saberes à medida que as ideias avançam nas contradições. (antagonismos).

2) Dúvidas sobre o credo marxista? Substitui a dialética em Marx e Hegel pela dialógica e o processo de dialogização em Morin.

3) Bases epistemológicas do pensamento complexo? Fulcro com base na teoria da informação, teoria dos sistemas e a cibernética, que são bases do pensamento complexo.

3 - O PENSAMENTO COMPLEXO?

Do latim COMPLEXUS - significa “o que é tecido em conjunto” (junto). No séc. XVII nasce o racionalismo (razão=produto de um cálculo), que impõe que somos racionais, primatas humanos, somos HOMO SAPIENS, SAPIENS, DEMENS.

SAPIENS?  Somos seres sistemáticos, eretos, falamos, usamos signos, sobe em árvores, simboliza, constrói representações, etc;

SAPIENS? Homo, hominídeos, sapiens, sapiens

DEMENS? Para o autor somos descomedidos, loucos, descontrolados, recalcados, etc e escondemos e temos afobia ao demens. Todo homem é duplo: ao mesmo tempo que é racional apresenta certa demência.

3.1 OS OPERADORES DE BASE DO PENSAMENTO COMPLEXIDADE?

3.1. OPERADOR DIALÓGICO?  Envolve, juntar, entrelaçar, liga o que estão separadas por ex. Sensível e inteligível; O real e o imaginário; A razão e os mitos e a ciência e a arte, etc. Juntar coisas que estavam separadas

3.2. OPERADOR RECURSIVO? Aprendemos por causas que produzem efeito e/ou efeito(s) pode produzir causa (s) e vice versa. Fazer circular o efeito sobre a causa. (somos ao mesmo tempo produto e produtor)

3.3. OPERADOR HOLOGRAMÁTICO: Enxergar (dissociar) que a parte está no todo e o todo está nas partes, formando uma totalidade. (síncrese, análise e síntese)

3.4. A TOTALIDADE? A totalidade pode ser maior ou menor que a soma das partes, já que o sistema é aberto e interage com as partes e está com o todo.

4 - O HOMO COMPLEXUS? 

Fala, é faber, simbólico (imaginários), 100% natureza e 100% cultura (seres uniduais), mitos, etc. O complexus é além da ciência, a literatura, as artes e a poesia um profundo conhecimento, isto é, rompe com a separação das ciências, arte e literatura.

As grandes obras de arte expõem um profundo pensamento sobre a vida. Morin propõe acabar com “a dicotomia artes de um lado e o pensamento científico do outro”.

4.1 A RAZÃO, O RACIONALISMO E A RACIONALIZAÇÃO?

A Razão é o cômputo, regras; O Racionalismo é tudo que é guiado pela razão; Racionalização? Quando a razão se fecha nela mesma, fora da arte e fora da literatura.

4.2 O TETRAGRAMA ORGANIZACIONAL?

Qualquer atividade dos seres vivos que envolve: ordem, desordem, integração, (re) organização. Estão na erupção da desordem.

5  A BASE DO PENSAMENTO COMPLEXO?

É formada pelo tetragrama aliado aos operadores, com o ideal de reformar o pensamento nas bases do pensamento complexo.

5.1 - A GÊNESE DO PENSAMENTO CARTESIANO?

Penso, logo existo, princípio da visão cartesiana que impõe separa a razão da des-razão. Um paradigma que separou o sujeito da coisa pensada (ruptura entre o sujeito e o objeto), nos ensinou a separar a razão do mito, a razão do imaginário, o sensível do inteligível, a ciência da arte, a física quântica da antropologia.

Regra de Ouro: “A reforma do pensamento é reaprender a pensar. (outra visão de mundo). O pensamento complexo nos oportuniza religar tudo o que a ciência cartesiana separou”, segundo Morin (2003).

6 - A TRANSDISCIPLINARIDADE?

Um modo de pensar organizado capaz de atravessar as disciplinas e dá uma nova unidade ao pensamento organizado da interdisciplinaridade, transversalidade e multidisciplinaridade.

6.1 Ensino Transdisciplinar? Implica construir um “meta ponto de vista” sobre a vida, a terra, o cosmo, a humanidade o homem, o conhecimento, as culturas, as artes, etc.

6.2 AS JORNADAS TEMÁTICAS?

Para construir os meta pontos de vista, reúne-se especialistas em grupos multidisciplinares.

7 - OS SETE SABERES DA EDUCAÇÃO PARA O NOVO MILÉNIO.

Síntese do referencial Morin (2011, p.10 a 140) descrito na bibliografia.

Diante dos problemas complexos por que passam as sociedades contemporâneas, educar em caráter inter-poli-transdisciplinar resultam em análises viáveis de tais complexidades: O livro é uma fonte de inspirações para uma boa prática educacional e os saberes necessários a uma nova forma de pensar para o educador e toda humanidade.

7.1. As cegueiras do conhecimento: o erro ou à ilusão.

_ A educação que transmite conhecimentos é cega quanto ao que é conhecimento humano, seus dispositivos, suas enfermidades, suas dificuldades, suas tendências aos erros e à ilusão, ela não realiza o fazer conhecer e sim o que é conhecer.
_ O conhecimento não é pronto sem que seja examinado. Deve ser a primeira necessidade de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e ilusão, que parasitam a mente humana. Deve armar a mente para rumar para a lucidez.
_Incluir os estudos das características celebrais, mentais, culturais do conhecimento humanos, seus processos e suas modalidades, das disposições psíquicas e culturais que o conduzem ao erro ou à ilusão. (2011, p. 19 a 24).

7.2. Os princípios do conhecimento pertinente.

_A educação deve promover um conhecimento capaz de apreender problemas globais críticos, para neles inserir os conhecimentos parciais e locais.
_As disciplinas compartimentalizadas restringem a visão e impede o vínculo entre as partes e a totalidade. E educação deve ser capaz de operar um conhecimento capaz de apreender objetos em contexto, sua complexidade, seu conjunto.
_Estimular a aptidão, contextualizar informações e conhecimentos em conjunto. _Ensinar método que estabeleçam relações múltiplas e influências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo. (2011, p.33 a 40).

7.3. Ensinar a condição humana.

_A condição humana é objeto da educação por que o físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico é o ser humano. A complexa natureza humana é desintegrada na educação que impede aprendermos o que é o ser humano. _Reestruturá-la para que se tome conhecimento e consciência de sua identidade comum e complexa de cada ser e de todos os seres humanos. (2011, p. 43 a 53).

7.4. Ensinar a identidade terrena.

_A educação ignora o objeto "destino planetário do gênero humano", diante do que é cada vez mais indispensável, “o reconhecimento da identidade terrena”.
 _Convém ensinar a história da era planetária, que se inicia com a comunicação entre os continentes no séc. XVI. Ensinar como se tornaram solidárias, sem ocultar as pressões e dominações que devastaram a humanidade e que ainda não desapareceram.
_Mostrar que o complexo da atual crise planetária impõe enfrentamos juntos os mesmos problemas de vida e de morte, já que partilhamos um destino comum. (2011, p. 55 a 66).

7.5. Enfrentar as incertezas.

_As ciências revelaram certezas e inúmeras zonas de incertezas ao longo de séc. XX. As incertezas nas ciências físicas (microfísica, termodinâmica e cosmologia), nas ciências da evolução biológica e nas ciências histórica.
Modificar o desenvolvimento no tempo futuro, só será possível com o ensino de princípios de estratégias adequadas para o enfrentamento de imprevisto, incertezas e o inesperado, em função de informações adquiridas ao longo do tempo. ou seja, “aprender a navegar num oceano de incertezas em meio a arquipélago de certeza”. _A aventura humana deve nos incitar a preparar as mentes para esperar e enfrentar o inesperado. Que todos que ocupam a educação constituam a vanguarda ante os riscos e as incertezas de nossos tempos. (2011, p. 73 a 78)

7.6. Ensinar a compreensão.

_Educação para a compreensão, que é meio e fim da comunicação, está ausente do ensino. Se faz necessário abranger em todos os níveis e idades, uma educação para a compreensão mútua, para reformar as mentalidades como obra para o futuro.
_”Para que as relações humanas saiam de seu estado bárbaro de incompreensão temos que apreender a compreensão mútua entre seres humanos”.
_ É imperativo estudar as raízes, modalidades e efeitos da incompreensão, nele estão as causas do racismo, xenofobia e do desprezo, enquanto base segura para a paz, que é nossa essência e vocação. (2011, p. 81 a 89).

7.7. A ética do gênero humano.

_A educação deve conduzir a "entropoética" (ética do gênero humano) considerar o "ser", caráter ternário da condição humana: indivíduo-sociedade-espécie; a ética "indivíduo-espécie" precisa do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade - a democracia para a cidadania terrena.
_ A ética deve-se formar nas mentes e não por lições, na consciência de que o humano é o indivíduo, parte da sociedade e da espécie.
_Todo desenvolvimento humano deve compreender o conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana.
_As 02 finalidades ético-políticas do milênio: criar relação de controle mútuo entre "sociedade e os indivíduos" pela democracia e a humanidade, como comunidade planetária.

_A educação contribuirá para a tomada de consciência da "terra-pátria" e na vontade de realizar a “cidadania terrena”. (2011, p. 93 a102).

 

CONSIDERAÇÕES:

_A razão cartesiana impôs um paradigma. Ela nos ensinou a separar a razão da des-razão.

_Temos que religar tudo o que a ciência cartesiana separou, segundo Morin.

_Quanto a questão do pensamento complexo e da reforma dos educadores no processo de criação de uma nova educação, Morin, bebe em Marx: “Qualquer reforma do ensino e da educação começa com a reforma dos educadores.”

_Meta pontos de vista: prioriza a visão transdisciplinar a vida, a terra o cosmo. _Rearticular a ideia das disciplinas em outros contextos, sou seja, tudo que foi fragmentado pelo dividam-se o problema em parte pequenas, para melhor encontra a solução.

_Somos culturais, naturais, físicos, psíquicos, míticos, imaginários, reaprender a nossa própria condição.

_Sustentabilidade da terra para as futuras gerações, terra pátria.

_Religar para abrir as disciplinas, requer pressupostos e fundamentos: primeira recusar - recusar a separação entre a “razão e a emoção”, a “ciência e arte”, “ciência e mito”; segunda recusa: assumir a recusa entre “singular x universal”, o “local e o global”, o “sujeito e objeto”, o “individual é o coletivo”; terceira recusar: ir além do estado como único balizador do conhecimento científico. Há outras instituições e diversas organizações que fazem melhor. Enfim, superar essa relação de tensão entre os polos opostos.

CONCEITOS CONSIDERADOS QUE SUBJAZEM O ENTENDIMENTO:

A CIBERNÉTICA? É a ciência da comunicação e do controle (seja nos seres vivos, ou seja, nas máquinas). A comunicação é que torna os sistemas integrados e coerentes e o controle é que regula o seu comportamento. A cibernética compreende os processos físicos, fisiológico, psicológico etc. de transformação da informação. (pt.wikipedia.org>wiri>cibernética_e_administração).

A TEORIA GERAL DOS SISTEMAS? Tem como objetivo analisar a natureza dos sistemas e a inter-relação entre suas partes, assim como a inter-relação entre eles em diferentes espaços, e ainda, as suas leis fundamentais. (www. Unicanpi.br>fea>ortega>temas530>melissa).

A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI)? Pode ser definida como o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos de computação que visam permitir a produção, armazenamento, transmissão, acesso, segurança e o uso das informações. (www. Youtuber.com - 27 de fev. de 2015).

O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG4? Um elemento atômico pode se comportar como “onda”, ou seja, “seres portadores de multiplicidades” ou como “partícula”, tida como “seres individualizados”. As ideias da incerteza, na educação, têm no conhecimento científico um produto de absoluta certeza, todavia, ele deve ser crivado pela ideia da incerteza. A incerteza passa a ser o vetor que comanda o avanço do saber. O pensamento complexo aponta a certeza generalizada enquanto um mito (2003, p. 53). Assim, o pensamento complexo nos levará a currículos criativos. Para lidar com o homem biológico, psíquico e cultural, requer-se um novo tipo de professor.

REFERÊNCIAS (OBS: o autor do estudo pesquisou em acervo bibliográfico material (livros).

ALVES, Magda. Como escrever teses e monografias: um roteiro passo a passo - Rio de janeiro; Elservier, 2007 – 2ª reimpressão

 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e Maria Helena Pires. Introdução a Filosofia. 4ª edição. – São Paulo: ed. Moderna. 2009.

C CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática. 2003

COTRIM, Gilberto. Fundamentos de filosofia / Gilberto Cotrim, Mirna Fernandes. -- 4. ed. -- São Paulo: Saraiva, 2016

 

FONTOURA, Antonio. Teoria da História. Curitiba, Intersaberes, 2016

 

MARX. Karl e Engels. Friedrich. Manifesto do partido comunista. Coleção grandes obras do pensamento universal, ed. Escala. São Paulo.2014

MASCARENHAS, Sidnei Augusto. Metodologia Científica – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.

MORIN. Edgar. Educar na era planetária.: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. São Paulo. Editora Cortez. Brasília, DF: UNESCO, 2003.

MORIN. Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2a edição, São Paulo. Editora Cortez. Brasília, DF: UNESCO, 2011.

MORIN. Edgar. Coleção Grandes pensadores. ATTA – mídia e educação. 2005.


[1]Pedagogo (UEMA). Mestre em Educação (UFMA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos (UCAM). Licenciado em Mecânica (IFMA). Foi Instrutor de Ajustagem Mecânica e Tornearia no SENAI-MA, período de 1976 a 1989. Foi Coordenador pedagógico do SENAI-MA, no período de 1980 a 2006. Ocupou no SENAI-MA, o Cargo de Gerente de Educação no período de 2007 a 2010. Foi membro do Comitê Técnico Nacional do SENAI/DN. Ocupou o cargo de Assessor Técnico do SENAI-MA no período de 2011 a 2016.

[2] Cibernética é a ciência da comunicação e do controle (seja nos seres vivos, ou seja, nas máquinas). A comunicação é que torna os sistemas integrados e coerentes e o controle é que regula o seu comportamento. A cibernética compreende os processos físicos, fisiológico, psicológico etc. de transformação da informação.

[3] A Teoria dos Sistemas tem como objetivo analisar a natureza dos sistemas e a inter-relação entre suas partes, assim como a inter-relação entre eles em diferentes espaços, e ainda, as suas leis fundamentais.

[4] Tecnologia da informação pode ser definida como o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos de computação que visam permitir a produção, armazenamento, transmissão, acesso, segurança e o uso das informações.