A POLÍTICA DOS RESTAURANTES POPULARES NO MARANHÃO
Por Raimundo Flor Monteiro/ Revisado em 06/01/2026
Dia 21 de junho o governador Flávio Dino publica em sua página do Facebook: mais uma conquista do nosso governo: estamos chegando ao TRIPLO dos restaurantes populares que herdamos. Eu li sobre a rede de segurança alimentar
acompanhando uma reportagem do blog de J.M Cunha Santos em (http://jmcunhasantos.blogspot.com.br/2017/06/novo-restaurante-popular-do-maiobao-e.html?spref=tw&m=1): onde anuncia: "Carne assada, dobradinha, arroz, feijão branco, farofa com carne e saladas fizeram parte do cardápio de reinauguração do Restaurante Popular do Maiobão nesta terça-feira (20).
A refeição completa e balanceada ao valor de R$ 2 recebeu elogios de todos os públicos, inclusive das crianças. Carlos Augusto, de 9 anos, faz questão de se alimentar todos os dias no restaurante. “Eu gosto mais da comida daqui do que a da minha mãe e ainda tem suco e fruta”.
Adeu Barros, professor e amigo meu da cidade de Açailândia comenta: "Aqui em Açailândia tem um proprietário de lanchonete localizada dentro da rodoviária, o mesmo tem várias kitnets na cidade e todo dia almoça no restaurante popular", que tal?
Nos preocupa os alarmantes índices de pobreza que se multiplicam exponencialmente no Maranhão, no Brasil e no mundo. Nós do Maranhão elegemos um governo do PC do B, comunista em essência e socialista por natureza. Diria Arquimedes de Siracusa "Eureca" acertei, porque para implantar políticas públicas de redução drástica até a completa extinção da miséria que assola a maioria do povo maranhense, foi necessário essa resposta popular. E o que esmos presenciando? Estamos vendo entre as ações do governo F. Dino, em alguns casos, é a apropriação das políticas paliativas de seus antecessores. Politicas estas, como as de suprimento imediato e momentâneo da falta de comida. Sem desmerecer ao nosso Lenin do Maranhão, uma politica de caráter populista. E qual e o problema? O problema é que essas políticas, tidas como assistencialistas, não alteram as condições socioeconômicas das estruturas sociais. Diria István Mészáros: esse tipo de ação "eficiente não se traduz em eficácia" já que apenas subsidiam o funcionamento do metabolismo exploratório do capitalismo. Ao contrário, essa política gera, cada vez mais, um exército de dependentes, perdoem a grosseira analogia, mais tal qual zumbis ociosos e famintos por comida diuturnamente, ou seja, de manhã, à tarde e a noite.
Aberta ao público das classes D e E, que se encontram em alto risco de dependência alimentar, ou seja, passam forme, esses restaurantes também atraem um grande numero de pessoas, cuja renda, estão acima da identificação de pobreza inerente a classe d e E. Desse modo, sem critério de acesso ao alimento, se contar com milhares de pessoas aproveitadoras, ou seja, pessoas que tem condições de se alimentarem, mas, porem, todavia, contudo, por comodismo e apropriação indébita, acabam se alimentando da comida destinada as pessoas que realmente precisam. Em muitos casos, deixando sem comida alguns de seus prioritários consumidores.Num sistema altamente excludente como esse, onde a voracidade de acumulação do capital se torna a cada dia mais predador, a prática do dar o peixe, pelo governo federal e estadual, em muitos casos, gera uma cultura de conformismo e acomodação em uma parcela significativa, ou seja, em um grande batalhão de cidadãos sem oportunidade. Desprotegidos das oportunidades históricas, não geradas por um Estado omisso, esses cidadãos a quem tudo lhes foi negado, adquirem o habito de ser e se sentirem incapazes. Não porque queiram, mas sim pela real falta de manutenção de politicas publica sociais que lhes consigna apenas ficarem a margem da dignidade que se perde ao longo da vivencia sofrida que lhes proporciona o malvado estado capitalista. (*)
Historicamente abandonados, enquanto legado das políticas vitorinistas e sarneistas do nosso breve passado, a maioria da população maranhense pertence a geração que nasceu e se desenvolveu no seio do governo de Vitorino Freire, um governador do Maranhão da década de 40 e 50 e do eminente presidente Sarney. Apesar do discurso progressista desses governos, esses grupos sempre negaram a educação para as massas, com fator de geração de uma consciência existencial e política crítica para os cidadãos maranhenses. Porque chamo de consciência existencial? A maioria dos cidadãos maranhenses, mais de 51% analfabetos, atribuem a si mesmo seu próprio fracasso, conforme preconiza e esconde os valores ideológicos do capitalismo. Meus amados maranhenses, nesse âmbito, não entendem, por falta de educação, que foi a omissão, negligencia, irresponsabilidade e a maldade do Estado populista, assistencialista de pequenas causas que nos conduziram para a fome, o analfabetismo, a miséria e a indigência. Foi para salvaguardar os seus interesses pessoais particulares e de grupo, escondidos num status quo de grandes fortunas e acumulação crescente do capital, que esse modelo tornou-se permanentemente hegemônico na política econômica maranhense, brasileira, ou seja, do local para o regional e o pais inteiro.
Alguns dirão e fácil criticar. Então, o que o PC do B, na contramão da história capitalista deveria fazer? Mudar uma estrutura social de histórica reminiscência não e fácil. O nosso Karl Marx não deixou nenhum manual especifico, mas trabalhou a base central da ideias. A premissa causal de maior impacto deve se concentrar no sistema. Ou seja, atuar na base do sistema social através da educação emancipadora com foco no trabalho, na saúde, moradia, transporte, segurança dentre outros lócus de atuação comunitária. Combater as diversas variáveis que geram o atraso é perfeitamente possível, basta identificar esses elementos causais e elabora e desenvolver projetos sociais. Dentre esses projetos sociais podemos destacar como prioritários, a atuação naqueles de mais fortes determinações do atraso, tais como: o combate ao analfabetismo de letras, o analfabetismo funcional e digital, bem como a promoção do acesso universalizado para a educação básica integrada a educação profissional, nos moldes da politecnia em Marx, articulada com as temáticas da saúde, meio ambiente, educação para o transito (que mata mais do que uma guerra civil), a cultura, os esportes e as artes, etc. Não obstante, isso não teria sucesso sem projetos sociais de serviços e de produção voltados para a priorização das nossas potencialidade e riquezas ecológicas, minerais, do campo (rurais), e de uma agricultura, agroindústria de caráter familiar, sem esquecer o turismo e demais atividade situadas no eixo dos recursos naturais abundantes nas diferentes regiões do Maranhão. E e bom que se diga estão secularmente abandonadas no nosso Maranhão.
Os projetos contariam com o aval do Estado no que tange a recursos financeiros, para gerar trabalho e renda, não tão somente restaurantes populares. A concepção, implantação e coordenação ficariam a cargo da UFMA, UEMA, IFMA e IEMA, afinal que sistema de educação e este, uma superestrutura de escolas e universidades, símbolo da inteligência que se conservam isoladas de suas funções sociais, trabalhando apenas o ensino sem praxis? P. Freire, diria: o ensino pelo pelo ensino, sem educação, será sempre uma negação do seu papel principal, historicamente negligenciado pelos políticos e intelectuais megalomaníacos, hedonistas, salvo raras exceções. Resumindo: a educação básica tem que sair de quatro paredes que aprisionam os educandos a século, a educação superior tem que descer o morro e invadir todos os status sociais, com prevalência os estratos D e E, com pesquisa e extensão em práxis, para mudar a vida das pessoas.
Portanto, concluo que os restaurantes populares em sua essência, constitui uma das políticas públicas paternalista, assistencialista, de caráter populista, eficiente, mais que resolve apenas momentaneamente a fome daqueles que estão em risco de vida imediato, assolados que estão pela fome. Não obstante, os restaurantes populares os conservará na maior desgraça que pode se abater com um ser humano, que é a pobreza e a miséria. Finalizo invocando o nosso grande poeta Luís Gonzaga e o magistral compositor Zé Dantas, quando disseram: "o homem não precisa de esmola, precisa sim de um trabalho que lhe dê dignidade" ou ainda, no que se traduz por: "uma esmola dada a um home sã ou lhe adoce ou lhe mata de vergonha".
Bibliografias Consultadas
BUZAR, Benedito. O viturinismo: Lutas politicas no Maranhão 1945-1965. São Luís. Instituto Geia, 2024.
BOTELHO, Joan. Conhecendo e debatendo a Historia do Maranhão. São Luís. Fort Gráfica, 2007.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 4a edição. editora Paz e Terra. 1979
FILHO, Othelino e Neto, Othelino. A oligarquia da serpente. São Luís. Litograf. 1992.
MÉSZÁROS, István. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição /
István Mészarós; tradução Paulo Cezar Castanheira, Sérgio Lessa. - 1.ed.
revista. - São Paulo: Boitempo, 2011.
Informações adicionais:
1 A projeção aponta que 50,7% dos domicílios do
país terminarão o ano nas classes D e E (cuja renda mensal domiciliar
é de até R$ 2,9 mil), uma leve melhora em relação aos 51,3% de 2021, e apenas
2,8% serão da classe A (acima de R$ 22 mil). (Info Money em 26 de abr. de 2022)
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